TERESINATOHOKU






TERESINATOHOKU é um projeto com concepção e realização de Demolition Incorporada, que toma como ponto de partida uma cidade do Brasil, Teresina, e uma região do Japão, Tohoku.

Acontece no CAMPO no período de 15 de Janeiro a 24 de Fevereiro de 2017.

O projeto interliga imaginariamente esses dois lugares, que se situam nos nordeste do Brasil e do Japão, e se aproximam por uma situação geográfica, climática e cultural comum: são regiões periféricas, isoladas, precárias e marcadas por situações climáticas extremas e adversas. A primeira atingida por altas temperaturas, o calor, e a segunda por baixas temperaturas, o frio.

TERESINATOHOKU aborda essas duas realidades espaciais fantasmagóricas a partir das questões:

Qual o papel que a arte desempenha nessas regiões distantes e desconhecidas? Qual a relação entre áreas geográficas específicas para a compreensão de mundo comum?

O projeto acontece em Teresina, terra natal do coreógrafo Marcelo Evelin, como parte da criação de seu novo espetáculo, DANÇA DOENTE. O processo que se inicia com essa residência toma de empréstimo o universo do dançarino e coreógrafo Japonês Hijikata Tatsumi (1928-1986), nascido no Tohoku, região que veio a influenciar consideravelmente sua obra.

TERESINATOHOKU se organiza em torno de Processo, Performance, Encontro, Palestra, Instalação e “Convivialidade”, reunindo 40 artistas residentes em trânsito: Criadores, Performers, Teóricos, Dramaturgos, Produtores Culturais de Teresina, Japão, Canadá, Holanda, Alemanha e de vários estados do Brasil.

*Este projeto foi contemplado com o Prêmio Funarte Klauss Vianna de Dança 2015*

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obra e desdobramento semana1 #teresinatohoku

Esse fim de semana (20, 21 e 22/01) o CAMPO abriu as portas para três propostas de espetáculos no cruzamento entre dança e performance, que juntos indagam: "o que seria a obra, e como se daria um desdobramento daquilo que se tornou obra, para ser uma outra obra (ou a mesma?)"

Samuel Alvis e Ireno Junior, dois jovens criadores de Teresina, desdobram um solo criado no corpo de Samuel, para uma correspondência no corpo de Ireno. EÓLICO é uma obra que se reinventa na frente do espelho, em um duplo que insiste em ser de formas diferentes, a mesma coisa.

Bruno Moreno é criador e performer trabalhando internacionalmente a partir da cidade de São Paulo. Em colaboração com Isabella Gonçalves e Renato Sircilli, Bruno adentrou a questão: o abandono de si, investigando um uma prática em “ser ninguém”, o que deu no espetáculo ainda em processo, que se chama NINGUÉM.

A mesma questão de NINGUÉM foi trazida para um grupo de 15 artistas da cidade de Teresina durante uma residência em dezembro 2016, como uma proposição de desdobramento a partir de uma concepção inicial. Esse feixe de ideias que motivou a obra anterior, volta a ser aplicado em uma outra circunstância numa espécie de desdobramento. MUNDO SEM MÃE surge como uma segunda obra, a partir de uma questão inicial, como insistência da própria questão, que reverbera: Somos ninguém, e estamos sempre em perigo de sermos descobertos como ninguém, movendo mobílias, arrastando objetos, abandonados da condição de si mesmos.

Poderíamos nos perguntar vendo essas obras e conversando com os criadores e os performers depois, seria algo como: “o que faz uma obra ser uma obra?” -- pergunta que pode nos levar longe nesse emaranhado de subjetividade, performatividade e consciência que nos faz ser quem somos e vivermos nos mundos que criamos pra nós. O sentido de “desdobrar” que estamos focando aqui, pode significar reutilizar, em um mundo de excessos em contraste com necessidades, mas pode ser também resistir em e por algo, insistir por convencimento, dar prosseguimento a, dissolver ou desatar os sentidos e as formas todas, desdobrar até chegar a deixar de ser o que realmente é.

CAMPO recebe Dança do Japão -> 2 espetáculos com apresentação única neste domingo (29/01)!

Podem a tradição e a contemporaneidade criar um futuro juntos? Ou a tradição criará um novo futuro contemporâneo? O artista performático japonês Atsushi Heki, que combina em seu trabalho tradição e contemporaneidade, vai propor tais perguntas em dois solos, apresentados no CAMPO dentro do projeto de residências artísticas TERESINATOHOKU. 彼岸 の 桜 Higan no Sakura *Flores de cereja do outro mundo* [ dança tradicional japonesa ] Um homem estava pensando em "como ter um bom comportamento, e o que é bom comportamento...?" Mas, ele bebia o tempo todo... Então percebeu de repente: “isto é ok!!!” --uma canção escrita por Atsushi Heki e musicada por Hakumai Yamada 極 楽 鳥 の 森 *Pássaro do Paraíso* [ Este trabalho combina dança tradicional japonesa e dança contemporânea para tentar que você sinta o 気 配 Kehai -- como algo de misterioso a seu redor ] O que é “reencarnação”? Qual é o desejo da vida? O que é "libertação budista" ou salvação? O pássaro do paraíso vive na ilha de Nova Guiné. E um outro vive na “Terra Pura” (o Céu do Mundo Budista). Nós nunca sabemos o que eles fazem, porque eles vivem em um outro mundo. ficha técnica Coreografia, Música de Gamelan: 日 置 あ つ し Atsushi Heki Manipulação e Operação de som: 瀧 口 翔 Sho Takiguchi Música: 山 中 透 Toru Yamanaka Canção tradicional japonesa: 山田 白米 Hakumai Yamada, escrito por Atsushi Heki. Traje: 南 野 詩 恵 Shie Minamino Cocar (usando Urushi): 日 置 美 緒 Mio Heki Produção 航路 延長 Koro Encho ++ sobre Atsushi Heki Bailarino, Coreógrafo e Músico, nascido em 1978, em Kyoto, Japão. Artista Residente no Projeto Teresina Tohoku, orienta classes de Dança Tradicional Japonesa para o elenco do espetáculo Dança Doente de Marcelo Evelin/Demolition Incorporada, e um grupo de 12 Artistas Residentes do Piauí. Desde o ensino médio, estuda teatro, instalação e toca Gamelan, um instrumento tradicional da Indonésia. Porque se interessava pelo corpo humano começou a aprender Nihon-Boyou (estilo de dança japonesa) com Senrei Nishikawa e performou o trabalho de Senrei em diferentes partes do mundo como Bali, Indonésia e Suíça. Depois disso, ele se desafiou a criar uma conexão entre a dança japonesa e dança + tradição estrangeira, de diferentes países na Europa e Sudeste Asiático. Ele fez um curso de intercâmbio no “Centro Nacional de Dança Contemporânea de Angers" e recentemente criou obras como "Bosatsu Rakugo" e “Rumiisana” no Ásia Tri Jogja Festival (Indonésia) e também coreografou no SF-Cinema e Teatro.

Oficina com Atsushi Heki, aberta à comunidade!

Técnica de Leque para Drag Queens e interessadxs em geral, com introdução sobre Suriashi--caminhada tradicional japonesa.

Master class com CHRISTINE GREINER

Uma conversa sobre os livros “Leituras do Corpo no Japão” e “Fabulações do Corpo Japonês”


A pesquisa que gerou estes dois livros antípodas partiu da proposta de uma metodologia de deslocamentos para estudar percepção e cultura, corpo e rede de afetos, dispositivos de poder e alteridades. Neste encontro vou compartilhar questões, imagens e pequenas histórias que me acompanham desde 1983 quando comecei a estudar o Japão.


Christine Greiner vem a Teresina a convite do Projeto TERESINATOHOKU para um acompanhamento teórico do processo de construção do espetáculo Dança Doente de Marcelo Evelin/Demolition Incorporada, e se dedica também a atividades de aprofundamento junto aos artistas residentes locais do projeto.


Greiner é professora livre-docente do Departamento de Linguagens do Corpo da PUC-SP. Ensina no curso de graduação em Artes do Corpo e no Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica, onde coordena desde 1998 o Centro de Estudos Orientais. É autora dos livros Leituras do Corpo no Japão (2015), Corpo em Crise (2010) e Corpo, pistas para estudos indisciplinares (2005) entre outras coletâneas e artigos publicados no Brasil e no exterior.

Manifesto com a artista transexual parnaibana Fernanda Silva + Concerto eletrônico com o japonês Sho Takiguchi + curta-metragens experimentais da obra de Hijikata Tatsumi + roda de conversa com Carolina Mendonça (SP-Essen) sobre Dramaturgia

*Involuntários da Pátria, com Fernanda Silva*

Apresentação do manifesto artístico com a atriz transexual Fernanda Silva, que conduz há 11 anos um trabalho e espaço de resistência no litoral do Piauí/Parnaíba, o galpão e grupo Metáfora. Fernanda interpreta texto do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro a partir de uma proposição feita por Sonia Sobral, gestora de Artes Cênicas e parceira do CAMPO Arte Contemporânea.

duração 30` classificação indicativa livre


*Projeção de Filmes*

Serão apresentados três filmes curtos e experimentais dos anos 60, feitos em colaboração e com a participação de Hijikata Tatsumi. "Navel an A-Bomb" a partir da parceria com o fotógrafo Eikoh Hosoe. Os filmes contém muitos dos elementos que determinaram a obra do artista.

Anma e Rose color dance, de Takahiko Iimura são parte da série Cine-Dance, sobre performances filmadas ao vivo.

duração 45` classificação indicativa 18 anos


*Concerto de música eletrônica, com Sho Takiguchi*

Experiência, “música para os ouvidos” feita a partir ruídos gerados pelo caos e escuridão.


Qual a diferença entre música e som? E entre som e barulho?

Sho Takiguchi quando era estudante, não usava fones de ouvido como seus colegas. Barulhos de trilhos, máquinas, outros veículos soavam para ele como música. Esta experiência o conduziu à música experimental.


Sho Takiguchi começou aos 14 anos como baixista. Desde os 18 trabalha com gravação e composição. Em 2012, quando despertou interesse pelas relações entre sons, corpo e espaço, um encontro com Marcelo Evelin (PI) lhe abriu as portas para a dança.

Desde então, Sho tem participado de realizações internacionais com Evelin: fez o design sonoro de “De Repente Fica Tudo Preto de Gente” (2012), a direção musical de Batucada (2014) e de “The who of things”--para a cia Carte Blanche, na Noruega.

duração 45` classificação livre


*Conversa sobre dramaturgia, com Carolina Mendonça*

Trata-se de uma prática especulativa. “Vamos nos aproximar do livro Dança e Dramaturgia organizado por Paulo Caldas e Ernesto Gadelha através do I-Ching fazendo uma leitura detalhada de pequenos fragmentos escolhidos ao acaso para observar o que pode ser dramaturgia.”—nos conta Carol.


Formada em teatro e faz mestrado em coreografia. Colaborou em diversas obras como Falling, Tragédia: Uma Tragédia e Público, performance realizada para o Festival VideoBrasil, Lote, residência de criação coordenada pelo coreógrafo Cristian Duarte, Batucada espetáculo de Marcelo Evelin, entre outros.

duração 30` classificação indicativa 12 anos

Final de semana com Instalação, Performance e Festa no Campo! #teresinatohoku #demolitionincorporada

>> sábado | 11 fev >> Instalação

ISTO É APENAS UM PANO NA CABEÇA (Márcio Nonato/BA) + experimentação para CENTRO DE MORTE PARA OS VIVOS (Daniel Lie/SP)

As duas ações serão simultâneas, de 20h às 23h. Nelas o público tem circulação e tempo de permanência livre. ! classificação indicativa 18 anos Entrada franca com doação sugerida de R$ 10 para manutenção do espaço


>> domingo | 12 fev >> Palestra-Performance + Festa

NUDITY + VOX POPULI

A partir das 18h até às 00h ! classificação indicativa 18 anos Ingresso promocional preço único até às 20h = R$ 10 Após às 20h = R$ 10 meia e R$ 20 inteira


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ISTO É APENAS UM PANO NA CABEÇA

Tudo começa com um pano branco na cabeça, a fim de fazer emergir novas composições espaço-corpóreas. O “não saber” como detonador de esvaziamento e ampliação do contexto transformando-se e transformando-o. Noções de identidade, dilatação e a relação com os sentidos, com os demais e com o ambiente.

Márcio Nonato de Salvador-BA é performer, diretor e iluminador. Estudou interpretação teatral na UFBA e dança na Escola de Dança da FUNCEB/BA. Por 14 anos foi do grupo DIMENTI e de desde 2007 vem desenvolvendo trabalhos autorais no VAGAPARA (ambiente transitório de criação), onde descobriu a rua para desenvolver seus experimentos e pesquisas. É performer e técnico de iluminação nos espetáculos De Repente fica tudo Preto de Gente e Batucada, de Marcelo Evelin/Demolition Incorporada.