TERESINATOHOKU

February 3, 2017

 

 

 

 

TERESINATOHOKU é um projeto com concepção e realização de Demolition Incorporada, que toma como ponto de partida uma cidade do Brasil, Teresina, e uma região do Japão, Tohoku.

 

Acontece no CAMPO no período de 15 de Janeiro a 24 de Fevereiro de 2017.

O projeto interliga imaginariamente esses dois lugares, que se situam nos nordeste do Brasil e do Japão, e se aproximam por uma situação geográfica, climática e cultural comum: são regiões periféricas, isoladas, precárias e marcadas por situações climáticas extremas e adversas. A primeira atingida por altas temperaturas, o calor, e a segunda por baixas temperaturas, o frio.

 

TERESINATOHOKU aborda essas duas realidades espaciais fantasmagóricas a partir das questões: 


Qual o papel que a arte desempenha nessas regiões distantes e desconhecidas?
Qual a relação entre áreas geográficas específicas para a compreensão de mundo comum?

 

O projeto acontece em Teresina, terra natal do coreógrafo Marcelo Evelin, como parte da criação de seu novo espetáculo, DANÇA DOENTE. O processo que se inicia com essa residência toma de empréstimo o universo do dançarino e coreógrafo Japonês Hijikata Tatsumi (1928-1986), nascido no Tohoku, região que veio a influenciar consideravelmente sua obra.

 

TERESINATOHOKU se organiza em torno de Processo, Performance, Encontro, Palestra, Instalação e “Convivialidade”, reunindo 40 artistas residentes em trânsito: Criadores, Performers, Teóricos, Dramaturgos, Produtores Culturais de Teresina, Japão, Canadá, Holanda, Alemanha e de vários estados do Brasil.

 

*Este projeto foi contemplado com o Prêmio Funarte Klauss Vianna de Dança 2015*

 

***

 

obra e desdobramento 
semana1 #teresinatohoku

 

1/3

 

 

Esse fim de semana (20, 21 e 22/01) o CAMPO abriu as portas para três propostas de espetáculos no cruzamento entre dança e performance, que juntos indagam: "o que seria a obra, e como se daria um desdobramento daquilo que se tornou obra, para ser uma outra obra (ou a mesma?)"

 

Samuel Alvis e Ireno Junior, dois jovens criadores de Teresina, desdobram um solo criado no corpo de Samuel, para uma correspondência no corpo de Ireno. EÓLICO é uma obra que se reinventa na frente do espelho, em um duplo que insiste em ser de formas diferentes, a mesma coisa.


Bruno Moreno é criador e performer trabalhando internacionalmente a partir da cidade de São Paulo. Em colaboração com Isabella Gonçalves e Renato Sircilli, Bruno adentrou a questão: o abandono de si, investigando um uma prática em “ser ninguém”, o que deu no espetáculo ainda em processo, que se chama NINGUÉM. 


A mesma questão de NINGUÉM foi trazida para um grupo de 15 artistas da cidade de Teresina durante uma residência em dezembro 2016, como uma proposição de desdobramento a partir de uma concepção inicial. Esse feixe de ideias que motivou a obra anterior, volta a ser aplicado em uma outra circunstância numa espécie de desdobramento. MUNDO SEM MÃE surge como uma segunda obra, a partir de uma questão inicial, como insistência da própria questão, que reverbera: Somos ninguém, e estamos sempre em perigo de sermos descobertos como ninguém, movendo mobílias, arrastando objetos, abandonados da condição de si mesmos.

 

Poderíamos nos perguntar vendo essas obras e conversando com os criadores e os performers depois, seria algo como: “o que faz uma obra ser uma obra?” -- pergunta que pode nos levar longe nesse emaranhado de subjetividade, performatividade e consciência que nos faz ser quem somos e vivermos nos mundos que criamos pra nós.
O sentido de “desdobrar” que estamos focando aqui, pode significar reutilizar, em um mundo de excessos em contraste com necessidades, mas pode ser também resistir em e por algo, insistir por convencimento, dar prosseguimento a, dissolver ou desatar os sentidos e as formas todas, desdobrar até chegar a deixar de ser o que realmente é.

 

 

 

 

 

CAMPO recebe Dança do Japão -> 2 espetáculos com apresentação única neste domingo (29/01)!

 

 


Podem a tradição e a contemporaneidade criar um futuro juntos?
Ou a tradição criará um novo futuro contemporâneo?

O artista performático japonês Atsushi Heki, que combina em seu trabalho tradição e contemporaneidade, vai propor tais perguntas em dois solos, apresentados no CAMPO dentro do projeto de residências artísticas TERESINATOHOKU.

彼岸 の 桜 Higan no Sakura 
*Flores de cereja do outro mundo*
[ dança tradicional japonesa ]
Um homem estava pensando em "como ter um bom comportamento, e o que é bom comportamento...?"
Mas, ele bebia o tempo todo... 
Então percebeu de repente: “isto é ok!!!”
--uma canção escrita por Atsushi Heki e musicada por Hakumai Yamada

極 楽 鳥 の 森 
*Pássaro do Paraíso*
[ Este trabalho combina dança tradicional japonesa e dança contemporânea para tentar que você sinta o 気 配 Kehai -- como algo de misterioso a seu redor ]
O que é “reencarnação”? Qual é o desejo da vida?
O que é "libertação budista" ou salvação? 
O pássaro do paraíso vive na ilha de Nova Guiné.
E um outro vive na “Terra Pura” (o Céu do Mundo Budista).
Nós nunca sabemos o que eles fazem, porque eles vivem em um outro mundo.

ficha técnica
Coreografia, Música de Gamelan: 日 置 あ つ し Atsushi Heki
Manipulação e Operação de som: 瀧 口 翔 Sho Takiguchi
Música: 山 中 透 Toru Yamanaka
Canção tradicional japonesa: 山田 白米 Hakumai Yamada, escrito por Atsushi Heki.
Traje: 南 野 詩 恵 Shie Minamino
Cocar (usando Urushi): 日 置 美 緒 Mio Heki
Produção 航路 延長 Koro Encho

++ sobre Atsushi Heki
Bailarino, Coreógrafo e Músico, nascido em 1978, em Kyoto, Japão.
Artista Residente no Projeto Teresina Tohoku, orienta classes de Dança Tradicional Japonesa para o elenco do espetáculo Dança Doente de Marcelo Evelin/Demolition Incorporada, e um grupo de 12 Artistas Residentes do Piauí. 
Desde o ensino médio, estuda teatro, instalação e toca Gamelan, um instrumento tradicional da Indonésia. Porque se interessava pelo corpo humano começou a aprender Nihon-Boyou (estilo de dança japonesa) com Senrei Nishikawa e performou o trabalho de Senrei em diferentes partes do mundo como Bali, Indonésia e Suíça.
Depois disso, ele se desafiou a criar uma conexão entre a dança japonesa e dança + tradição estrangeira, de diferentes países na Europa e Sudeste Asiático.
Ele fez um curso de intercâmbio no “Centro Nacional de Dança Contemporânea de Angers" e recentemente criou obras como "Bosatsu Rakugo" e “Rumiisana” no Ásia Tri Jogja Festival (Indonésia) e também coreografou no SF-Cinema e Teatro.

 

 

Oficina com Atsushi Heki, aberta à comunidade!


Técnica de Leque para Drag Queens e interessadxs em geral, com introdução sobre Suriashi--caminhada tradicional japonesa.

 

 

 

 

 

 

 

Master class com CHRISTINE GREINER

 

 


Uma conversa sobre os livros “Leituras do Corpo no Japão” e “Fabulações do Corpo Japonês”

 

A pesquisa que gerou estes dois livros antípodas partiu da proposta de uma metodologia de deslocamentos para estudar percepção e cultura, corpo e rede de afetos, dispositivos de poder e alteridades. Neste encontro vou compartilhar questões, imagens e pequenas histórias que me acompanham desde 1983 quando comecei a estudar o Japão.

 

Christine Greiner vem a Teresina a convite do Projeto TERESINATOHOKU para um acompanhamento teórico do processo de construção do espetáculo Dança Doente de Marcelo Evelin/Demolition Incorporada, e se dedica também a atividades de aprofundamento junto aos artistas residentes locais do projeto.

 

Greiner é professora livre-docente do Departamento de Linguagens do Corpo da PUC-SP. Ensina no curso de graduação em Artes do Corpo e no Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica, onde coordena desde 1998 o Centro de Estudos Orientais. É autora dos livros Leituras do Corpo no Japão (2015), Corpo em Crise (2010) e Corpo, pistas para estudos indisciplinares (2005) entre outras coletâneas e artigos publicados no Brasil e no exterior.

 

 

 

 

Manifesto com a artista transexual parnaibana Fernanda Silva + Concerto eletrônico com o japonês Sho Takiguchi + curta-metragens experimentais da obra de Hijikata Tatsumi + roda de conversa com Carolina Mendonça (SP-Essen) sobre Dramaturgia

 

 

 

*Involuntários da Pátria, com Fernanda Silva*


Apresentação do manifesto artístico com a atriz transexual Fernanda Silva, que conduz há 11 anos um trabalho e espaço de resistência no litoral do Piauí/Parnaíba, o galpão e grupo Metáfora. Fernanda interpreta texto do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro a partir de uma proposição feita por Sonia Sobral, gestora de Artes Cênicas e parceira do CAMPO Arte Contemporânea.


duração 30`
classificação indicativa livre

 

*Projeção de Filmes*


Serão apresentados três filmes curtos e experimentais dos anos 60, feitos em colaboração e com a participação de Hijikata Tatsumi. "Navel an A-Bomb" a partir da parceria com o fotógrafo Eikoh Hosoe. Os filmes contém muitos dos elementos que determinaram a obra do artista. 


 Anma e Rose color dance, de Takahiko Iimura são parte da série Cine-Dance, sobre performances filmadas ao vivo.


duração 45`
classificação indicativa 18 anos

 

*Concerto de música eletrônica, com Sho Takiguchi*


Experiência, “música para os ouvidos” feita a partir ruídos gerados pelo caos e escuridão.

 

Qual a diferença entre música e som? E entre som e barulho? 


Sho Takiguchi quando era estudante, não usava fones de ouvido como seus colegas. Barulhos de trilhos, máquinas, outros veículos soavam para ele como música. Esta experiência o conduziu à música experimental.

 

Sho Takiguchi começou aos 14 anos como baixista. Desde os 18 trabalha com gravação e composição. Em 2012, quando despertou interesse pelas relações entre sons, corpo e espaço, um encontro com Marcelo Evelin (PI) lhe abriu as portas para a dança.


Desde então, Sho tem participado de realizações internacionais com Evelin: fez o design sonoro de “De Repente Fica Tudo Preto de Gente” (2012), a direção musical de Batucada (2014) e de “The who of things”--para a cia Carte Blanche, na Noruega.


duração 45`
classificação livre

 

*Conversa sobre dramaturgia, com Carolina Mendonça*


Trata-se de uma prática especulativa. 
“Vamos nos aproximar do livro Dança e Dramaturgia organizado por Paulo Caldas e Ernesto Gadelha através do I-Ching fazendo uma leitura detalhada de pequenos fragmentos escolhidos ao acaso para observar o que pode ser dramaturgia.”—nos conta Carol.

 

Formada em teatro e faz mestrado em coreografia. Colaborou em diversas obras como Falling, Tragédia: Uma Tragédia e Público, performance realizada para o Festival VideoBrasil, Lote, residência de criação coordenada pelo coreógrafo Cristian Duarte, Batucada espetáculo de Marcelo Evelin, entre outros.


duração 30`
classificação indicativa 12 anos

 

 

 

Final de semana com Instalação, Performance e Festa no Campo!
#teresinatohoku #demolitionincorporada

 

 

1/2

 

>> sábado | 11 fev >> Instalação


ISTO É APENAS UM PANO NA CABEÇA (Márcio Nonato/BA) 
+ experimentação para CENTRO DE MORTE PARA OS VIVOS (Daniel Lie/SP)


As duas ações serão simultâneas, de 20h às 23h. 
Nelas o público tem circulação e tempo de permanência livre. 
! classificação indicativa 18 anos
Entrada franca com doação sugerida de R$ 10 para manutenção do espaço

 

>> domingo | 12 fev >> Palestra-Performance + Festa


NUDITY + VOX POPULI 


A partir das 18h até às 00h
! classificação indicativa 18 anos
Ingresso promocional preço único até às 20h = R$ 10
Após às 20h = R$ 10 meia e R$ 20 inteira

 

++


ISTO É APENAS UM PANO NA CABEÇA 


Tudo começa com um pano branco na cabeça, a fim de fazer emergir novas composições espaço-corpóreas. O “não saber” como detonador de esvaziamento e ampliação do contexto transformando-se e transformando-o. Noções de identidade, dilatação e a relação com os sentidos, com os demais e com o ambiente. 


Márcio Nonato de Salvador-BA é performer, diretor e iluminador. Estudou interpretação teatral na UFBA e dança na Escola de Dança da FUNCEB/BA. Por 14 anos foi do grupo DIMENTI e de desde 2007 vem desenvolvendo trabalhos autorais no VAGAPARA (ambiente transitório de criação), onde descobriu a rua para desenvolver seus experimentos e pesquisas. É performer e técnico de iluminação nos espetáculos De Repente fica tudo Preto de Gente e Batucada, de Marcelo Evelin/Demolition Incorporada.

 

CENTRO DE MORTE PARA OS VIVOS


A presença de pessoas e a realização de atos dentro de um espaço podem deixar vestígios invisíveis? Como elementos que mudam com a passagem do tempo (alimento fermentando, água evaporando, frutas apodrecendo, plantas crescendo) podem nos influenciar? Como realizar uma coreografia para objetos dançarem por si só? Como criar relações horizontais? Essas são algumas perguntas que norteiam o processo de experimentação espacial que está sendo realizado no CAMPO, como parte da pesquisa de seu futuro trabalho Centro de morte para os vivos, que propõe uma vivência espacial com a construção de uma instalação e um ambiente para se deitar. 


Daniel Lie é artista plástico. Faz parte da inovadora cena artística de São Paulo. Suas instalações cibernéticas, criadas com minerais, plantas e frutas podres, produzem cenários densos em termos atmosféricos, nos quais a linearidade sazonal se dissolve em favor da compreensão processual. Um espaço estranho, governado por leis alternativas. 


Como pesquisador neo-tropical, utiliza suas instalações para criar espaços experienciais, produzindo sensualidade arcaica. Seu trabalho está firmemente enraizado na tradição brasileira da antropofagia, que não é apenas um movimento estético, mas também uma filosofia cosmopolita na América do Sul.

 

NUDITY 


É uma palestra-performática a procura por um espaço de nudez, interessada em discutir conexão, fricção, o simples, o diverso e a relação com as próprias faltas. Propõe que desvendemos juntos uma série de possibilidades sobre o tema. 
Conta com a colaboração e participação de Arthur Doomer (PI).


Fabien Marcil estudou performance e novas práticas na Concordia University, Montreal, Canadá. Trabalhou na área de produção em diferentes festivais como Kunsten Festival des Arts (Bélgica) e na Montreal Danse e Art Circulation (Canadá) . Atualmente colabora como performer na criação da próxima peça de Marcelo Evelin, Dança Doente e coordena o área de desenvolvimento internacional do La Serre - Arts Vivants.

 

VOX POPULI RECORDS


É um selo independente criado em 2014 em Berlim, Alemanha. Do latim “voz do povo” - foi pensado como uma plataforma para além da difusão musical, mas também para produção de novas composições a partir da captação de soundscapes, instrumentos musicais, cerimônias religiosas, etc, como base tanto para reinterpretações de música eletrônica quanto para reinvenção de atmosferas e festas itinerantes.


A Vox Populi Records no Brasil teve lançamento em São Paulo e agora acontece especialmente no TERESINATOHOKU.


Fred Scharf (Suíça) é antropólogo, produtor e DJ, fundador do Vox Populi.

 

++++

 

A partir das 20h de sábado (11fev), os artistas Daniel Lie/SP e Márcio Nonato/BA cruzam suas criações em uma Instalação, fazendo do Campo um ambiente de experiências corporais, sensoriais e espaciais. “Isto é apenas um pano na cabeça”, de Márcio, é uma ação performática que acontecerá com artistas de Teresina residentes do projeto mais outros artistas convidados, e estará em diálogo com ambiente instalatório de “Centro de morte para os vivos”, que é parte do processo de pesquisa de Daniel Lie para a obra homônima que estreará em Viena, em julho deste ano.

 

Domingo será dia de pensar sobre a nudez, através de uma palestra-performática de Fabien Marcil/Montreal, às 18h. Será também a noite de celebrar coletivamente esse grande processo em construção que é o TERESINATOHOKU, com uma festa concebida e conduzida pelo DJ Fred Scharf (Berlim), a partir da produção musical do selo independente Vox Populi.

 

Nas duas noites continuará disponível à venda a edição mais recente do Fanzine do Campo/Demolition Incorporada. Esta 3ª edição traz entrevista, imagens e materiais de pesquisa do espetáculo Dança Doente, gerador do TERESINATOHOKU.

 

 

 

 

 

 

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